A antecipação do Boletim Económico de Junho de 2026 do Banco de Portugal traz uma confirmação importante para o mercado: os intermediários de crédito já não são um canal periférico. Segundo dados reportados pelas instituições de crédito relativos a 2025, cerca de 51% do montante de crédito aos consumidores e 56% do montante de crédito à habitação foi comercializado com intervenção de intermediário em alguma fase do processo.
Este dado muda a forma como o sector deve olhar para organização, tecnologia e atendimento. Quando um canal representa metade do volume de mercado, deixa de poder funcionar com métodos improvisados. Precisa de processos, rastreabilidade, informação actualizada e capacidade para acompanhar clientes com consistência.
O intermediário está no centro entre cliente e banco
O Banco de Portugal descreve o intermediário como o agente que faz a ligação entre consumidores que precisam de financiamento e instituições financeiras. Essa função inclui apresentar ou propor contratos de crédito, entregar documentação pré-contratual, prestar informação sobre características dos produtos, recolher documentação para simulações e, em certos casos, prestar consultoria.
Esta descrição é importante porque mostra que o valor do intermediário não está apenas em “enviar processos para o banco”. Está em reduzir fricção, ajudar o cliente a comparar alternativas, preparar melhor a informação e aumentar a eficiência do caminho até à decisão.
Para o CRM Crédito, este é exactamente o ponto central: quanto mais relevante é o papel do intermediário, mais importante se torna ter uma operação bem organizada.
O número que deve chamar a atenção: 51% no crédito aos consumidores
No crédito à habitação, o peso dos intermediários já era muito visível no mercado. Mas o dado dos 51% no crédito aos consumidores reforça outra realidade: a intermediação já tem expressão material também fora da habitação.
O Banco de Portugal analisa em particular crédito pessoal e crédito automóvel entre 2021 e 2025. No crédito automóvel, mais de 80% do volume foi concedido através de intermediários. No crédito pessoal, a percentagem ficou em torno de 20%, mas a importância do canal tem vindo a aumentar.
Isto cria dois desafios diferentes. No automóvel, o volume exige rapidez e padronização. No crédito pessoal, o crescimento exige maior capacidade de qualificação, acompanhamento e explicação ao cliente.
Mais escala, mais responsabilidade
O mesmo estudo lembra que os intermediários podem contribuir para inclusão financeira e para aumentar a concorrência, ao reduzir custos de procura, ajudar a comparar propostas e encaminhar casos com maior probabilidade de aprovação.
Mas o modelo também traz desafios. Sempre que o intermediário é remunerado pela instituição financeira, pode existir desalinhamento entre incentivos comerciais e interesse do consumidor. É por isso que transparência, documentação e registo do processo ganham importância.
Quanto maior for o peso dos intermediários no mercado, maior será a expectativa do regulador e dos clientes.
Porque estes dados são uma notícia de CRM
À primeira vista, o Boletim Económico é uma publicação macroeconómica. Mas para quem gere uma empresa de intermediação de crédito, os dados têm uma leitura muito operacional.
Se o intermediário participa em metade do volume de crédito, cada equipa precisa de responder a perguntas simples:
- Onde entram as leads?
- Quem acompanha cada cliente?
- Que documentos já foram recebidos?
- Que simulações foram apresentadas?
- Que entidade bancária está a analisar o processo?
- Que proposta foi comparada com que alternativa?
- Que comunicação ficou registada?
- Que comissões estão previstas ou por liquidar?
Sem CRM, estas respostas ficam espalhadas por emails, mensagens, folhas Excel e memória da equipa. Com CRM, passam a estar ligadas ao processo.
O que uma equipa deve preparar para crescer
O crescimento do canal de intermediação não significa apenas mais oportunidades comerciais. Significa também mais volume operacional. E volume sem processo costuma trazer atrasos, falhas de comunicação e perda de controlo.
Uma equipa que quer crescer deve ter, no mínimo:
Pipeline de processos. Cada pedido deve ter estado, responsável, prioridade e próxima acção.
Histórico de cliente. As interacções, simulações, documentos e decisões devem ficar associadas ao mesmo registo.
Documentação organizada. O processo não pode depender de anexos perdidos em conversas.
Modelos de comunicação. Mensagens consistentes reduzem erro e melhoram a experiência do cliente.
Controlo de comissões. À medida que há mais processos aprovados, a conta corrente deixa de poder viver em ficheiros soltos.
Base de conhecimento. Equipas maiores precisam de consultar informação comum sem depender sempre da mesma pessoa.
Oportunidade para intermediários mais profissionais
Os dados do Banco de Portugal mostram que existe espaço para o intermediário continuar a ser relevante, sobretudo quando ajuda consumidores a compreender produtos, preparar documentação e encontrar propostas adequadas.
Mas também mostram que a actividade já atingiu uma escala que exige ferramentas próprias. A vantagem competitiva deixa de estar apenas na relação com bancos ou na capacidade de captar leads. Passa também pela qualidade do acompanhamento, pela rapidez de resposta e pela capacidade de manter cada processo sob controlo.
Conclusão
A antecipação do Boletim Económico de Junho de 2026 confirma aquilo que muitos profissionais já sentiam no terreno: a intermediação de crédito tornou-se uma parte central do mercado português. Com 51% do montante de crédito aos consumidores e 56% do montante de crédito à habitação comercializados com intervenção de intermediário, o sector ganhou escala, relevância e responsabilidade.
Para quem trabalha nesta área, a conclusão é simples: o mercado cresceu, e a operação tem de crescer com ele. Um CRM especializado ajuda a transformar esse crescimento em processos organizados, equipa alinhada, melhor acompanhamento e mais capacidade para responder a clientes, bancos e regulador.
Fontes
Leia também
- CRM de Intermediação de Crédito: A Melhor Solução para Gerir e Aumentar Aprovações — porque gerir volume exige mais do que folhas Excel.
- Taxas Máximas 2026: simulações pedem CRM para intermediários — como a actualização de condições afecta a operação.
- Guia do Banco de Portugal 2026: o que muda na prática para intermediários — a leitura regulatória complementar.
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